sábado, 19 de janeiro de 2013

Diários de Recepção II - Tudo pode piorar, sempre!


Entregar  um ente querido no centro cirúrgico (seja lá pelo motivo que for) é sinônimo de estresse. Uma angústia sem tamanho pela total impotência diante da circunstância. Costuma-se roer unhas, dor de cabeça, inquietação, desarranjos  de toda sorte. 
No entanto, lá pela décima sexta vez, a gente aprende. Aprende que ficar sem comer é bom; muito bom aliás, pra quem quer perder peso. Roer unhas é um hábito porco, que sai caro e deixa feliz a manicure. Plantar na porta do centro cirúrgico não muda o que está acontecendo lá dentro... inclusive, porta de centro cirúrgico não tem sofá, banquinho, nada pra  “abundar” nossa expectativa. 
Sendo assim, eu já aprendi.  Entrego o amadinho  pros profissionais e deixo que ele (paciente), o médico e Deus resolvam a presepada da vez. Eu vou procurar uma comidinha, ou cafezinho, e um sofá bem  fofo para me acomodar.
Na última vez o sofá disponível  ficava na recepção do hospital. Achei meu lugar,  afofei o sofá que nem cachorro no montinho de panos e comecei  a digerir minha espera . Sofá macio não fica vazio por muito tempo, logo ganhei três companhias.  Uma senhora já com uns 60 anos, a filha na base de uns 28 e uma outra aparentada - meninota periguetinha- de uns 14 anos.
A senhora iria passar por algum exame e as duas a acompanhavam... aquelas companhias de corpo presente, que servem pra porcaria nenhuma. Sim,  isto porque , as moçoilas tinham aquele novo péssimo hábito moderno (pra não dizer puta falta de educação) de ficar grudada  no celular fingindo que estão em 2 mundos ao mesmo tempo. O coisa chata isso!!!!
Num dado momento, a senhora decidiu que deveria passar os pertences e valores para a bolsa da filha, afinal, na observação, após o procedimento, sua bolsa ficaria vulnerável. E começou a escarafunchar a sacola... mexe que mexe e vira, tirou de lá uns documentos, uma nota de 50 reais e um monte de papel. Entregou para que a filha guardasse junto de si.
Mas, ainda não estava satisfeita. Pensou, pensou e disse para a mal educada mais velha:

- Então... melhor você ficar com o meu celular também, vai que alguém pega.
- Ah! Mãe, esta coisa velha! E com ar de absoluta astúcia e sapiência emendou:

- Põe aí um bilhetinho dizendo: favor não roubar que é meu.
Hummmm???? Bilhetinho pro ladrão? Pode isso Arnaldo?

E quando eu pensei que já tinha ouvido tudo a senhora, pra não ficar por baixo, retrucou:

- É, pior se o ladrão for analfabeto!

Morri.

2 comentários:

  1. Affe! kkkkkkkkkkk
    Como diz meu cunhado:
    "Eu vou morrer e não vou ver tudo..."
    D+

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