Entregar um ente
querido no centro cirúrgico (seja lá pelo motivo que for) é sinônimo de
estresse. Uma angústia sem tamanho pela total impotência diante da
circunstância. Costuma-se roer unhas, dor de cabeça, inquietação, desarranjos de toda sorte.
No entanto, lá pela décima sexta vez, a gente aprende. Aprende
que ficar sem comer é bom; muito bom aliás, pra quem quer perder peso. Roer
unhas é um hábito porco, que sai caro e deixa feliz a manicure. Plantar na
porta do centro cirúrgico não muda o que está acontecendo lá dentro...
inclusive, porta de centro cirúrgico não tem sofá, banquinho, nada pra “abundar” nossa expectativa.
Sendo assim, eu já aprendi.
Entrego o amadinho pros
profissionais e deixo que ele (paciente), o médico e Deus resolvam a presepada
da vez. Eu vou procurar uma comidinha, ou cafezinho, e um sofá bem fofo para me acomodar.
Na última vez o sofá disponível ficava na recepção do hospital. Achei meu
lugar, afofei o sofá que nem cachorro no
montinho de panos e comecei a digerir
minha espera . Sofá macio não fica vazio por muito tempo, logo ganhei três
companhias. Uma senhora já com uns 60
anos, a filha na base de uns 28 e uma outra aparentada - meninota periguetinha-
de uns 14 anos.
A senhora iria passar por algum exame e as duas a
acompanhavam... aquelas companhias de corpo presente, que servem pra porcaria
nenhuma. Sim, isto porque , as moçoilas
tinham aquele novo péssimo hábito moderno (pra não dizer puta falta de
educação) de ficar grudada no celular
fingindo que estão em 2 mundos ao mesmo tempo. O coisa chata isso!!!!
Num dado momento, a senhora decidiu que deveria passar os
pertences e valores para a bolsa da filha, afinal, na observação, após o
procedimento, sua bolsa ficaria vulnerável. E começou a escarafunchar a sacola...
mexe que mexe e vira, tirou de lá uns documentos, uma nota de 50 reais e um
monte de papel. Entregou para que a filha guardasse junto de si.
Mas, ainda não estava satisfeita. Pensou, pensou e disse para
a mal educada mais velha:
- Então... melhor você ficar com o meu celular também, vai
que alguém pega.
- Ah! Mãe, esta coisa velha! E com ar de absoluta astúcia e
sapiência emendou:
- Põe aí um bilhetinho dizendo: favor não roubar que é meu.
Hummmm???? Bilhetinho pro ladrão? Pode isso Arnaldo?E quando eu pensei que já tinha ouvido tudo a senhora, pra não ficar por baixo, retrucou:
- É, pior se o ladrão for analfabeto!
Morri.
Affe! kkkkkkkkkkk
ResponderExcluirComo diz meu cunhado:
"Eu vou morrer e não vou ver tudo..."
D+
Não é??? Surpreendo-me com o que ouço...
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