quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

É Papo de Jacaré


Roda, roda, roda baleiro .  Atenção! Quando o  baleiro parar põe a mão...”
Jingle  Bala de leite Kids, 1978. Renato Teixeira e, Sérgio Mineiro e Sérgio Campanelli.
Eu nunca rodei um baleiro para escolher a bala mas, esta musiquinha faz-me pensar.
É preciso esperar o tempo de tudo, analisar o movimento das coisas. A sorte ajuda, outras vezes atrapalha. No entanto, posso afirmar que:  é bom ter clareza do que queremos para que possamos ter uma decisão em mente antes mesmo do baleiro parar.
Saber o que se quer é importante porque define o foco. Saber o que não se quer é mais importante ainda porque norteia  e concentra. Sobretudo, o baleiro não para por muito tempo; sempre é impulsionado por novos desejos e novas decisões devem se formar. É mais ou menos como se houvesse uma brecha entre um giro e outro, e ali, naquele momento, devemos estar preparados para agir.
Se vacilar, só na próxima volta. Só e se ainda tiver o sabor que a gente quer. Por vezes, a bala cobiçada foi comprada por outros e as que sobraram já não correspondem ao imaginado.
Adiantar-se e querer pegar a recompensa com impetuosidade, antes mesmo da volta estar completa, pode gerar acidentes , dificultar o acesso.... Perde-se o doce prazer da conquista também.
Quem roda o baleiro da vida, normalmente, é o “dono da vendinha”. Ele é quem dispõe os fatores mais importantes.  Como todo mundo, ás vezes,  eu também quero rodar  meu baleiro  para o lado que mais me  agrada mas, na impossibilidade , obedeço  as regras do Supremo e tento me preparar para as pequenas brechas onde minha decisão pode ser a diferença entre minha realização ou não.  
Nem antes e nem depois. Agir é verbo que tem a hora certa para ser conjugado.
 
 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

É Papo Sério! I - Sacudindo os Neurônios


Seres humanos vivem de experiências. Provar comidas diferentes, sentir cheiros novos, ouvir sons extra cotidianos , tudo, absolutamente tudo que é novo nos faz viver. Segundo Lawrence Katz, autor de Mantenha o seu Cérebro Vivo,” o cérebro  humano está preparado para reagir ao que é inesperado ou inusitado, como novas informações absolutamente inéditas vindas do mundo exterior”. Ou seja, seu cérebro se renova e cresce a cada nova experiência, não importa a idade que se tenha.
Neste livro, o Dr. Lawrence, propõe exercícios que alterem a nossa rotina, tipo: tomar banho de luz apagada, escovar os dentes com a outra mão, etc. Mas, a melhor de todas as sugestões  , na minha opinião, é viajar! Fala sério?  Conhecer gente nova, construções que nunca vimos, leis diferentes, novos sabores e amores, é um bombardeio estímulos renovando nossa mente! Até aqueles passeios meio mal sucedidos  tem sua  participação no nosso crescimento. É injeção de Vida!
 
Lógico que tropeçamos em situações que atrapalham essas aventuras. É o trabalho que não nos dispensa, é o dinheiro que não dá, problema com casa, cachorro, sogra (esta última então, aff problema na certa!). Agora, o que não pode, é o obstáculo se tornar impedimento. A gente tem que buscar as oportunidades, raspar até a última gota de disposição e meter o pé.
O assistente social, ator e meu doido preferido, Robson de Souza, virou mexeu enfia uma mochila nas costas e cai no mundo. Ele relata que uma viagem é capaz de lhe trazer sensação de paz , prazer e preenchimento, seja ela para longe ou aqui pertinho; inclusive,ao traçar seu planejamento de início de ano uma ou duas viagens é meta obrigatória.
“E voltar pra casa também é bom, mas se volta diferente, marcado pelo acolhimento das pessoas e com as lembranças. Pois, como esquecer as fortes expressões das mulheres cholas da Bolivia, que mostra além de sofrimento, presença? Ou, como esquecer os trançados de pernas dos artistas de tango em uma praça pública de Buenos Aires, que te hipnotiza de tal maneira que, quando desperto, a vontade é de sair dançando principalmente pra ver se consigo ser tão sedutor quanto os dançarinos?.”
 
Agora vejam, todas estas maravilhas “renovativas” acontecem com todos e com os deficientes não é diferente, talvez, exija  um pouquinho de esmero e preparo mas, não é impossível. Querem ver?
Ana Carla Vannucchi, é fotógrafa, cantora, insubordinada , Gostosa e mãe de 3 machinhos. Um deles é o Pêpe(11), portador de mieloneningocele  que gerou a diplegia, resumindo, é cadeirante. O Pepê já rodou o mundo gente! Aprendeu e cresceu. Sua primeira viagem, aos 3 anos, foi internacional, Argentina. As condições de acessibilidade foram satisfatórias. Já quando se mudou para Ribeirão Preto, fazia vôos constantes pra São Paulo, no aeroporto de Ribeirão não tem elevador pra levá-lo ao interior do avião, teve que subir a escada no colo. Mas, não houve problemas, teve é firula, conforme descreve a Ana:
Na primeira viagem, ao chegar em S.P., o pai o esperava, todo mundo desceu do avião e nada do Pepê, nada do Pepê. Daqui a pouco, um grupo de aeromoças e um moleque com o quepe do piloto, numa cadeirinha de rodas, uma carregava a mala, outra, a mochila e todo mundo rindo e falando com ele. “
Pensem na experiência afetiva, social e até de aceitação que o cérebro dele recebeu?
É importante informar  que o Ministério da Aeronautica dispõe de  Norma de Serviço (IMA 58-60) para transporte de pessoas que necessitam de cuidados especiais. Por exemplo:  aparelhos, cadeiras de rodas, cão guia,respiradores podem ser transportados gratuitamente no interior da cabine de acordo com as condições de espaço. O embarque destes passageiros será sempre antes dos demais e o desembarque depois de todo mundo. Se a companhia aérea exigir um acompanhante, deverá garantir um desconto na passagem do mesmo. Cada indivíduo (paciente) recebe uma classificação e codificação que vai definir as exigências para transporte seguro, aí a companhia pode exigir um atestado médico ou mesmo um médico acompanhante - isto seria para casos de pacientes que fazem uso de oxigênio, bebês em incubadoras, etc.
Enfim, tem uma porrada de coisinhas que precisam ser consultadas antes e, claro, a avaliação e opinião do médico que acompanha regularmente o aventureiro em questão. Há inúmeros casos, tipos, cada um é um.
Há mitos e verdades que precisamos saber e entender. Segundo a Neuropediatra e linda , Silvana Frizzo, um vôo não tem implicações neurológicas para pacientes que usam válvula para hidrocefalia (DVP) ou que tem convulsões, ou seja, os vôos não precipitam convulsões. Já pessoas com dificuldades respiratórias precisam ser avaliados e autorizados criteriosamente pois o risco é maior. As viagens de navio são mais complicadas devido a estrutura de atendimento, se houver algum mal estar os primeiros socorros são prestados na embarcação que, via de regra, tem equipe médica a bordo. Mas, se o caso exigir mais estrutura, como sair dali?  Sem contar que navio é um ambiente mais favorável a doenças contagiosas (vuco-vuco de gente num lugar sem escapatórias !) pode ser problema pra quem tem imunidade baixa. No entanto, a historinha de que o balanço do navio (aquela mareada nauseante) causa convulsões é falsa. Por isso, só o médico é o profissional para opinar e autorizar  estes super passeios.
A Ana  e o Pepê estão morando na França. Chique né? Ela me antecipou que lá  os aeroportos tem equipe para ajudar no que for preciso, o transporte de deficiente é lindo: rampas, elevadores , pessoas pra ajudar nas estações... tudo lindo !Aliás, outras pessoas já me contaram que, no dito primeiro mundo, o cotidiano e acessibilidade do deficiente é algo muito natural.  Ah! Uma coisa que eles vivenciaram e é um saco , é a troca de fraldas. Vôos longos requerem troca de fraldas e o trocador de bebê não é suficiente, claro. Assim , o banheiro do avião tem que servir e o acompanhante vira malabarista. Sinceramente, isso é um problema em muitos lugares (consultórios, shoppings,etc) ,dá uma raiva!
 Pasmem, ou melhor, invejem, o Pepê já foi pra Disney e New York City! Visitem  no seu blog pessoal  as fotos desse menino que comeu pé de cachorro(minha mãe definia assim pessoas que correm o mundo), indico http://pedrocoscia.blogspot.fr
Já para o Robson ,que visitou o Texas recentemente e embora não possua deficiência alguma , não pôde deixar de observar a questão da acessibilidade , concluiu o seguinte:
“ em países de primeiro mundo, como caracterizados, existe maior fluidez. Uma hipótese: isto ocorre não meramente pelo olhar inclusivo, mais porque possuem maior planejamento e tratam a questão sempre através dos benefícios econômicos”.
Mas vai de cá e de lá, nem todos tem dinheiro ou condições pra fazer passeios mais longos. No meu caso a experiência é terrestre, sempre achei viajar o máximo e  nunca deixei meu filho fora desta, fosse como fosse.  Muito embora, todas as limitações físicas e o fato de ele usar oxigênio limite-nos em questão de tempo (não mais que  3 dias fora)  e distância,há também o risco de alguma intercorrencia no carro mas,  vacilou a gente deita os cabelos mesmo! Resguardo apenas que estejamos em local com atendimento médico do convênio.É coisa minha, me deixa segura. E vocês não imaginam como é bom para nós sairmos do nosso casulo! O guri curte, protesta, chora, exige, assusta, ri  ; seu pequeno lesado cérebro mostra que a vida é um poço de estímulos positivos que aumentam  nossas perspectivas e cognições. Também valem os passeios no parque, no shopping, no mercado. Curtos ou longos,  sociabilizar-se é demais.
E , ainda que agora não possamos alçar vôos distantes, contamos com amigos como a Ana, o Pepê, Robson e outros que dividem suas impressões conosco nos instigando a imaginação, soprando alegria na nossa cara... As viagens são boas até quando a gente não sai do lugar: contadas, recordadas e divididas propagam seus benefícios. A viagem dos outros é a nossa viagem interior.
Então gente? Fé na vida e pé na estrada!

Fontes de pesquisa e parceiros desta doideira:
Katz C., Lawrence & Rubin, Manning.Mantenha seu cérebro vivo.15 a. Ed.Rio de Janeiro: Sextante,2000.
www.amputadosvencedores.com.br

 Ana Carla Vannucchi, Fotógrafa, Cantora,Corajosa , Tenaz, Gostosa e  Insubordinada.                                         (a foto “discostas’ não chegou a tempo de completar esta postagem)

http://pedrocoscia.blogspot.fr

Silvana Frizzo, Neuropediatra, Linda, Mãe fresca.

Robson de Souza Martins, Assistente Social, Ator, Meu doido preferido, Mochileiro, Metido a besta.




                                    

Gostosamente Especial


 Eventos de grande importância não chegam em nossas vidas com hora marcada. Vejam: Deus não manda telegrama pra avisar suas intenções, não comunica fatos com antecedência. De modos que, sucesso ou dissabor, ambos chegam , arrasam e a gente é que deve arrumar o jeito de conduzir a vida dali em diante.
Com a deficiência ocorre o mesmo. Um acidente automobilístico, um afogamento, doenças infectocontagiosas, vasculares são motivos frequentes para a entrada desta “palavra” em nosso cotidiano. No meu caso, ela veio primeiro com nome de prematuridade.  Até aí um susto mas,  eu não tinha ideia da proporção que este fato tomaria.
 E veio com tudo. Primeiro era luta pela sobrevivência... dolorosa, horrorizante. Depois entrou o sobrenome da coisa: sequelas.  Mas era muito indefinido, e meus questionamentos eram sem fim: surdo? Mudo? Paraplégico?Cego? Mental? Tudo junto?  Para esta última questão recebi um “possivelmente”.
Sem entender direito, eu pensava apenas no dia a dia dentro da incubadora. Que merda é essa de viver dentro de uma caixinha e não ver nada lá fora? Pior! Poderia só conhecer aquilo da vida. Me digam, isso é vida? E por não me conformar com essa palhaçada, me apressei  em relatar . Todos os dias eu contava sobre o mundo, o que tinha além daquele laboratório hospitalar maluco (UTI Neo parece laboratório de gente).
Contava sobre a praia (adoro praia), sobre os bichos, como era o quarto, a casa. Tínhamos um pacto: sai daí e eu te mostro tudo isso. Levou um ano praticamente inteiro e ele fez a parte que lhe cabia . E eu nem sabia como começar a cumprir minha parte. Sério.
Muitas limitações, havia necessidade de suporte de equipamentos, medo. Todo mundo achava o máximo estar em casa mas, embora feliz, pra mim aquilo era pouco... que vantagem Maria leva em sair da cama do hospital e ficar na cama de casa? Tá ...é bem vantajoso mas,não é ideal. Vai de cá e de lá, e em 2 meses ele conheceu a casa, o carro , a avenida Paes de Barros, a casa de um parente ou outro,  e , 6 meses depois ele viu a praia! Missão dada é missão cumprida!
Deus não me avisou com antecedência mas, já estamos tomando a limonada que preparamos com os limões que ele mandou.Esse foi nosso jeito.Essa foi a saída que adotamos para lidar com as limitações. Ninguém as escolhe.  O que a gente escolhe é como minimizá-las.
  Alguma coisa ainda desce azeda... é o tal do preconceito. Esse tá mais difícil, porque depois que a gente passa por todas as fases (negação, revolta,culpa, aceitação) sobra um negócio que está dentro do outro e a gente não pode mudar.

A diferença é algo que  incomoda as pessoas. Tudo que sai fora da forma alienante desta sociedade hipócrita (nossa! abalei nessa) gera desconforto.  E aquela regra, os incomodados que se mudem, cai por terra quando o assunto é deficiência. Quem se muda é o deficiente pra não se irritar ainda mais. E hoje eu sinto dó dos E.T´s... put´s! Numa próxima visita serão olhados com horror, desprezo e até nojo... sim, porque se as pessoas olham  seres humanos deficientes assim, imaginem com outra espécie?
Desculpem o desabafo.
Bom, mas o que importa é que estamos aí! Experimentando tudo na medida do possível, sendo feliz, contrariando as previsões pessimistas. Fazendo planos. O cérebro vive disso sabiam?  Claro que sabiam!
 E pra sair desta suposta seriedade, a próxima postagem vem na sequência, cheia  de vontade de viver.É Papo Sério!

 
                                                                 Esse cara sou eu!!!

sábado, 19 de janeiro de 2013

Diários de Recepção II - Tudo pode piorar, sempre!


Entregar  um ente querido no centro cirúrgico (seja lá pelo motivo que for) é sinônimo de estresse. Uma angústia sem tamanho pela total impotência diante da circunstância. Costuma-se roer unhas, dor de cabeça, inquietação, desarranjos  de toda sorte. 
No entanto, lá pela décima sexta vez, a gente aprende. Aprende que ficar sem comer é bom; muito bom aliás, pra quem quer perder peso. Roer unhas é um hábito porco, que sai caro e deixa feliz a manicure. Plantar na porta do centro cirúrgico não muda o que está acontecendo lá dentro... inclusive, porta de centro cirúrgico não tem sofá, banquinho, nada pra  “abundar” nossa expectativa. 
Sendo assim, eu já aprendi.  Entrego o amadinho  pros profissionais e deixo que ele (paciente), o médico e Deus resolvam a presepada da vez. Eu vou procurar uma comidinha, ou cafezinho, e um sofá bem  fofo para me acomodar.
Na última vez o sofá disponível  ficava na recepção do hospital. Achei meu lugar,  afofei o sofá que nem cachorro no montinho de panos e comecei  a digerir minha espera . Sofá macio não fica vazio por muito tempo, logo ganhei três companhias.  Uma senhora já com uns 60 anos, a filha na base de uns 28 e uma outra aparentada - meninota periguetinha- de uns 14 anos.
A senhora iria passar por algum exame e as duas a acompanhavam... aquelas companhias de corpo presente, que servem pra porcaria nenhuma. Sim,  isto porque , as moçoilas tinham aquele novo péssimo hábito moderno (pra não dizer puta falta de educação) de ficar grudada  no celular fingindo que estão em 2 mundos ao mesmo tempo. O coisa chata isso!!!!
Num dado momento, a senhora decidiu que deveria passar os pertences e valores para a bolsa da filha, afinal, na observação, após o procedimento, sua bolsa ficaria vulnerável. E começou a escarafunchar a sacola... mexe que mexe e vira, tirou de lá uns documentos, uma nota de 50 reais e um monte de papel. Entregou para que a filha guardasse junto de si.
Mas, ainda não estava satisfeita. Pensou, pensou e disse para a mal educada mais velha:

- Então... melhor você ficar com o meu celular também, vai que alguém pega.
- Ah! Mãe, esta coisa velha! E com ar de absoluta astúcia e sapiência emendou:

- Põe aí um bilhetinho dizendo: favor não roubar que é meu.
Hummmm???? Bilhetinho pro ladrão? Pode isso Arnaldo?

E quando eu pensei que já tinha ouvido tudo a senhora, pra não ficar por baixo, retrucou:

- É, pior se o ladrão for analfabeto!

Morri.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Diários de Recepção - I


Antessala de consultório é sempre a mesma ladainha, gente que descobre doenças e a primeira reação é se fazer de vítima, querer chamar a atenção. O serviço que atende ao meu filho trata de pessoas crônicas e graves, somente. Outro dia levei-o ao hospital , consulta as 7h. Só tinha eu e ele... de repente chega uma véia.. sentou e puxou assunto:
-Nossa, como ele é forte né? Bonito!
-É verdade, respondi, meu filho é lindo.
E começou o chora que eu te escuto!Seguiu a danada da véia:
-Então fia, eu tô com uns caroços no pulmão, tô tratando o médico num sabe o que é... É duro viu, chega a idade e vem tudo de uma vez..."   
Eu só dando as curtas: fica fria, vai sarar, se Deus quiser, isso passa... Inesperadamente, ela me sai com essa:
-Também estou com câncer no útero... Tem que operar, tirar tudo, é duro , já viu né?
Como a  coisa ficou mais delicada , respondi:
- Ah,nem esquenta isso sara também, só cuidar, arrancar o que não presta logo fora. Ou senhora quer ter mais ter filhos ainda?-foi zueira lógico.
- Não !!!! Eu tenho 75 anos!!!! Mas, meu marido me deu um chute fia...Ele arrumou uma namorada, disse que quer namorar, disse que podia até morar comigo mas, que ia namorar!Aí fia, se for pra ser corna ele que vá embora! Depois de 50 anos de casados. Lamentou e prosseguiu:
-Nessa idade o negócio não sobre mais, num tem jeito! é só na base de remédio mesmo!!! E ele quer namorar!!! Tá com uma mulher aí, já tá até pagando um negócio pra ela...
EU NÃO ACREDITEI QUE A VÉIA QUE NUNCA ME VIU SOLTOU ESSA!! Bom, como já tinha avacalhado mesmo prossegui no aconselhamento.
- Ó , negócio é o seguinte, se cura e vai pra 3º idade! Vai pro baile e da próxima vez que eu lhe ver já vai estar até namorando!
- Não fia, eu não quero mais nada não... Hummm ...Será que eu arrumo hein? Porque minhas amigas vão pro baile e aí FICAM com os homens , elas se apaixonam e na outra semana eles FICAM com outra... e elas choram...choram... eu não quero isso, dá medo!
Meu, vai cagar! 75 anos e medo de se apaixonar?! Ela tá morrendo! O que poderia ser pior agora? Outra coisa, que papo é esse de ficar? Tenho 37(quando isso aconteceu eu tinha 37) e sabem a quanto tempo eu não FICO com alguém??? Bom, tirando a comédia de acordar de madrugada e ás 7 horas ser a confidente sexual de uma véia que eu nunca vi na vida, essa  palhaçada me fez pensar...
Pensar na vida, naquilo que a gente deixa de fazer, no tempo curto... Sabe, sacanagem esse véio largar o jogo na prorrogação! Se bem que deve ser fogo viver com uma uma mulher que conta pra todo mundo que você é brocha!! Não estaria ele se permitindo diante do pouco tempo que lhe resta? E a véia? Não seria o caso de ela mudar o padrão de pensamento e se permitir mais, abandonar os pesos de mágoas e não-perdões e buscar a felicidade ou será melhor deixar o câncer comer ela todinha?
Foi então que confirmei o que eu já adotava para mim há algum tempo: a alegria nos rejuvenesce, nos revitaliza e nos cura, assim como, a tristeza nos apaga, mortifica, enfraquece.
ASSIM MEUS AMIGOS,QUE TANTO AMO , GOSTARIA DE LHES PEDIR ALGO: FAÇAM MAIS POR VOCÊS, FAVOR ENCONTREM A ALEGRIA, BUSQUEM AS SITUAÇÕES FELIZES, PERMITAM-SE MAIS. ACEITEM A SUCESSÕES DOS FATOS MAS, SE POSICIONEM PELA FELICIDADE SEMPRE... VOCÊS MERECEM!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Experimentando em 3,2,1...

De uns tempos pra cá, venho adotando esta palavra no meu dia a dia: experimentar.Aliás e em tempo: experimentar-me, vivenciar-me , permitir-me.
Nem tudo o que se experimenta é bom.... tem coisas que caem mal. Outras caem tão bem que é até feio dizer que "caem", acho mesmo que sobem! Elevam, deliciam, enternecem.
E aqui estamos experimentando mais esta possibilidade virtual , depois de tanto incentivo por parte de amigos.
Em algum momento de nossas vidas acontece alguma coisa que muda todo nosso roteiro. O grande "bum" da minha vida foi a chegada do meu filho; ele chegou prematuro mas, todo o conhecimento e experiência que trouxe consigo, considero eu, chegaram no tempo certinho.  No tempo de me mudar, de regar-me de informações, desabrochar-me sensibilidade, brotar-me vida... mas vida da boa! Cheia e emocionante como todo apaixonado deseja.
A deficiência, com todo seu questionamento, superação e até horror, cobre-nos de ensinamentos valorosos que só nesta circunstância podem realmente firmar-se em nós. Estou falando de humildade, abnegação, alegria, satisfação, compaixão. O tal amor incondicional vem quando temos filhos, qualquer filho, então, nem falo de amor porque é chover no molhado.
Assim, este marco da minha vida, me ensinou a ter muito mais atenção nos detalhes, amar o cotidiano, tirar lições de tudo e não me culpar de nada. Por isso, este espaço. Para dividir , esta oportunidade que tive de parar, observar e emitir minha opinião. Trocar idéias e impressões sobre a vida . Ficarei feliz se puder também contribuir com informações para pessoas que estão começando agora no mundo "especial", vez ou outra vou mandar pontualmente sobre o tema.
Concluí a faculdade , não pude trabalhar fora mas, a assistente social mora em mim ainda e vive me chamando pra dançar.Já a doida, essa eu nunca desincorporei ! E rir  penso que é melhor da festa. Então, vamos parar de falar em primeira pessoa do singular e partir para o plural. Conto com vocês.Viva "nóis"!!!