quarta-feira, 11 de junho de 2014

Papo Cabeça I – Eu vou te pegar é pelas costas!


Muitas pessoas se incomodam ao serem fotografadas .  É bem comum, inclusive, a trupe dos fugitivos do flash. Basta analisar os eventos de uma forma geral: enquanto alguns  portam-se como doidos em macaquices mil frente ás câmeras , outros tantos, parecem brincar de gato e rato com o equipamento.

Eu não gosto de ser desagradável e rabugenta mas, se puder dar o fora, prefiro.
Continuo das antigas... foto boa é aquela impressa dentro do álbum, facinha de acessar, não depende de bateria, wi-fi. Adoro manter um pequeno acervo destas “recordações cristalizadas”, boas indutoras de  exercício cerebral, chaves de um arquivo emocional.

Contudo, ao construir o blog, não achei conveniente postar fotos de rosto. Não tenho tudo isso de auto estima , nem gosto por este tipo de aparição. Estou meio as avessas com esta modinha de “Selfie” para rede social. O cabra precisa se amar e se achar demais, né? Tenho coragem não... No que se refere a outras pessoas, também achei mais interessante mantê-las preservadas .  De repente é isso: tem o facebook e, aqui, nós somos os “ bookback” ..rs (Perdoem-me , eu não falo inglês. Se alguém souber como escreve , eu agradeço).

 Eu nunca havia tirado uma foto sequer de costas. Tirei e fui super crítica comigo mesma: me achei meio torta, fortinha, estranha. Mas, por fim, gostei e nem havia entendido o por quê.
Comecei a pedir  para outras pessoas opiniões, fatos, relatos e fotos de costas! Era sempre recebida com ares de surpresa mas, não é que deu certo? Chegaram. De todas as formas, em diferentes contextos mas , todas com muito carinho.

 Passei a observar com que satisfação e preocupação, as pessoas me enviam estas relíquias. Tem sempre uma cautela junto: um “será que ficou bom?”, “deixa eu ver?”, “pode ser assim?”. Bonito de ver e perceber este prazer.

Segundo a Psicóloga Ivete Soares, é uma questão de mistério, o fetiche...Tudo bem que merecíamos umas linhas exclusivas, uma visão  profissional  sobre o tema mas, fazer o que não é Ivete?(Considere isso uma  cobrança básica).

 E, sabem que eu acho que é isso mesmo? Explorei minhas memórias e impressões  e vi que gosto de costas. Gosto do mistério, da surpresa de não saber que rosto tem.  Realmente, sempre foi uma predileção.

E estas lindas poses não poderiam ficar sem descrição, né? Aí que entrou um outro prazer: falar do povo pelas costas! Dar a cada um os seus predicados; tudo bem que é de acordo com a minha visão mas, dar as costas pra mim não é de todo ruim vai!

Claro que não poderíamos deixar de montar um arquivo especial para os bookback´s . Um tamanho bacana, com descrição individual e completa. Um registro geral das costas nossas de cada dia!

Ás vezes , a gente carrega o mundo nas costas. Ás vezes, as pessoas nos veem com costas tão largas a ponto de depositar seus pesos na gente; há momentos que as costas doem. Tem gente que trava por tanto peso.

 As mesmas costas sertanejas, corajosas e fortes, são as que se fragilizam ao receberem  punhaladas traidoras, e , se desfazem em culpas penitenciando-se.

Quando damos as costas a uma velha e cansativa situação, significa que rompemos com a dor e , talvez, alguma felicidade ... porém ,e sobretudo, para nos abrirmos para novos rumos.
Só  uma coisa é certa: se eu vejo suas costas é porque estamos olhando para o mesmo ponto, no mesmo foco, quem sabe até para o mesmo objetivo.Talvez admirando seu passo a minha frente... e  Isso é o que importa.

The Bookback:



























Curtiu? Manda sua foto porque eu quero mais é te  ver pelas costas!!!


Obs: continuo magoada com todos que não contribuíram...snif.

Um comentário:

  1. Excelente crônica, Cris. Tudo que me leva a refletir considero excelente. Se me permite uma sugestão - que agrega muito ao que escreveu no último parágrafo - leia a história "A menina, a gaiola e a bicicleta", de Rubem Alves (tem no google). É simples e intenso, até porque, se não tiver intensidade, não interessa a uma viajandona. rs

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