Muitas pessoas se incomodam ao serem fotografadas . É bem comum, inclusive, a trupe dos fugitivos
do flash. Basta analisar os eventos de uma forma geral: enquanto alguns portam-se como doidos em macaquices mil
frente ás câmeras , outros tantos, parecem brincar de gato e rato com o
equipamento.
Eu não gosto de ser desagradável e rabugenta mas, se puder
dar o fora, prefiro.
Continuo das antigas... foto boa é aquela impressa dentro do
álbum, facinha de acessar, não depende de bateria, wi-fi. Adoro manter um
pequeno acervo destas “recordações cristalizadas”, boas indutoras de exercício cerebral, chaves de um arquivo emocional.
Contudo, ao construir o blog, não achei conveniente postar
fotos de rosto. Não tenho tudo isso de auto estima , nem gosto por este tipo de
aparição. Estou meio as avessas com esta modinha de “Selfie” para rede social.
O cabra precisa se amar e se achar demais, né? Tenho coragem não... No que se
refere a outras pessoas, também achei mais interessante mantê-las preservadas . De repente é isso: tem o facebook e, aqui, nós
somos os “ bookback” ..rs (Perdoem-me , eu não falo inglês. Se alguém souber como escreve , eu agradeço).
Eu nunca havia tirado
uma foto sequer de costas. Tirei e fui super crítica comigo mesma: me achei
meio torta, fortinha, estranha. Mas, por fim, gostei e nem havia entendido o
por quê.
Comecei a pedir para
outras pessoas opiniões, fatos, relatos e fotos de costas! Era sempre recebida
com ares de surpresa mas, não é que deu certo? Chegaram. De todas as formas, em
diferentes contextos mas , todas com muito carinho.
Passei a observar com
que satisfação e preocupação, as pessoas me enviam estas relíquias. Tem sempre
uma cautela junto: um “será que ficou bom?”, “deixa eu ver?”, “pode ser assim?”.
Bonito de ver e perceber este prazer.
Segundo a Psicóloga Ivete Soares,
é uma questão de mistério, o fetiche...Tudo bem que merecíamos umas linhas
exclusivas, uma visão profissional sobre o tema mas, fazer o que não é
Ivete?(Considere isso uma cobrança
básica).
E, sabem que eu acho
que é isso mesmo? Explorei minhas memórias e impressões e vi que gosto de costas. Gosto do mistério,
da surpresa de não saber que rosto tem.
Realmente, sempre foi uma predileção.
E estas lindas poses não poderiam ficar sem descrição, né?
Aí que entrou um outro prazer: falar do povo pelas costas! Dar a cada um os
seus predicados; tudo bem que é de acordo com a minha visão mas, dar as costas
pra mim não é de todo ruim vai!
Claro que não poderíamos deixar de montar um arquivo
especial para os bookback´s . Um tamanho bacana, com descrição individual e
completa. Um registro geral das costas nossas de cada dia!
Ás vezes , a gente carrega o mundo nas costas. Ás vezes, as
pessoas nos veem com costas tão largas a ponto de depositar seus pesos na
gente; há momentos que as costas doem. Tem gente que trava por tanto peso.
As mesmas costas
sertanejas, corajosas e fortes, são as que se fragilizam ao receberem punhaladas traidoras, e , se desfazem em
culpas penitenciando-se.
Quando damos as costas a uma velha e cansativa situação,
significa que rompemos com a dor e , talvez, alguma felicidade ... porém ,e
sobretudo, para nos abrirmos para novos rumos.
Só uma coisa é certa:
se eu vejo suas costas é porque estamos olhando para o mesmo ponto, no mesmo
foco, quem sabe até para o mesmo objetivo.Talvez admirando seu passo a minha
frente... e Isso é o que importa.
The Bookback:
The Bookback:
Curtiu? Manda sua foto porque eu quero mais é te ver pelas costas!!!
Obs: continuo magoada com todos que não contribuíram...snif.
Excelente crônica, Cris. Tudo que me leva a refletir considero excelente. Se me permite uma sugestão - que agrega muito ao que escreveu no último parágrafo - leia a história "A menina, a gaiola e a bicicleta", de Rubem Alves (tem no google). É simples e intenso, até porque, se não tiver intensidade, não interessa a uma viajandona. rs
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