Último dia do ano, hora de fazer o balanço geral, agradecer,
pedir de novo. Felizmente, para a maioria das pessoas, ainda persiste este hábito de reflexão
anual. No meio desta loucura cotidiana ,
um dia que a gente consegue revisar nosso livro.
E descobrimos coisas surpreendentes nesse processo. O
cérebro, “safo” como ele só, registra melhor as boas experiências, mesmo que
desencadeadas por um sofrimento (e todo crescimento provém da dificuldade, é a superação) . Quer ver só?
Eu tenho medo de mariposas gigantes. Disso que eu chamo de
borboleta preta. Ô bicho esquisito! Pra mim é mal agourento, sempre associo a
doença e morte. Eu sei que é bobagem mas, já deixei de entrar no meu próprio quarto por dois dias só pra não ver a danada
no teto.Um pequeno mostro.
Espantar? Jamé! E se ela voar pra cima de mim? Tipo barata ,sabem?
Então, imploro ou pago pra alguém fazê-lo
por mim, não deixo matar , só as quero longe de mim.
Esta semana entraram 3 dentro de casa.
A primeira na porta da sala, se foi com meus pensamentos
positivos.
A segunda no meu
quarto... ah, dormir fora de novo? Me recusei. Cagando de medo, fechei a porta
, abri a janela, empunhei a raquete elétrica (não queria matar mas, era a única
arma que eu dispunha) e fui pra cima! Nem pense numa cena de força, um combate
épico. Foi entre gritinhos e gestos mal calculados e revoadas da maldita! Lá se foi pela janela
como planejado. Me achei “a heroína”!
E não é que apareceu a terceira?Não sei se era a mesma -claro que não deve ser- mas, ô bicha insistente! Na cozinha. Aí ela
me tirou do sério. Deixar de dormir na cama OK, deixar de comer? Nunca! Peguei
minha espada, digo, raquete, e fui pra cima. Sem gritar desta vez, só com medo
mesmo. E a borboletinha enxerida se foi, entendeu meu recado.
Chego ao final de 2014 assim: confesso que ainda tenho medo
das mariposas mas, agora são só borboletinhas escuras.Talvez bichos ressentidos
por não terem aquele colorido e serem chamadas de fadinha causando encantamento. Talvez sejam mesmo mal
agourentas mas, morre gente todos os dias ,né? Como culpar a borboleta? Só sei
que ela não é um monstro. Nunca foi, eu que dei esse título a ela.
E, eu sei que se alguma voltar a me
aterrorizar, vou me aparamentar com foco
e serenidade, e, mesmo com muito medo, vou enfrentar e mudar o cenário a meu
favor. Mariposa vira borboleta.
Feliz 2015!
O registro de índígenas da etnia Yanomami ameaçados de terem suas terras invadidas pelo garimpo, produzido para um caderno especial de A CRÍTICA publicado no ano passado , rendeu a Odair Leal o reconhecimento internacional por seu talento. O fotógrafo acreano foi um dos ganhadores do prêmio Performance dos Humanity Photo Awards (HPA), organizado pela China Folklore Photographic Association (CFPA) e pela Agência das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
MATÉRIA PUBLICADA EM AGOSTO DE 2013, CONFORME LINK ABAIXO DESCRITO.
Fonte: http://acritica.uol.com.br/vida/Manaus-amazonas-Amazonia-Ex-fotografo-CRITICA-Performance-Humanity-HPA_0_983901612.html


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