quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

É Papo do Coração VI- Mariposa vira Borboleta





Último dia do ano, hora de fazer o balanço geral, agradecer, pedir de novo. Felizmente, para a maioria das pessoas,  ainda persiste este hábito de reflexão anual.  No meio desta loucura cotidiana , um dia que a gente consegue revisar nosso livro.

E descobrimos coisas surpreendentes nesse processo. O cérebro, “safo” como ele só, registra melhor as boas experiências, mesmo que desencadeadas por um sofrimento (e todo crescimento provém da dificuldade,  é a superação) .  Quer ver só?

Eu tenho medo de mariposas gigantes. Disso que eu chamo de borboleta preta. Ô bicho esquisito! Pra mim é mal agourento, sempre associo a doença e morte. Eu sei que é bobagem mas,  já deixei de entrar no meu próprio  quarto por dois dias só pra não ver a danada no teto.Um pequeno mostro.

Espantar? Jamé! E se ela voar pra cima de mim? Tipo barata ,sabem?   Então, imploro ou pago pra alguém fazê-lo por mim, não deixo matar , só as quero longe de mim.
Esta semana entraram 3 dentro de casa.

A primeira na porta da sala, se foi com meus pensamentos positivos.

A segunda no meu quarto... ah, dormir fora de novo? Me recusei. Cagando de medo, fechei a porta , abri a janela, empunhei a raquete elétrica (não queria matar mas, era a única arma que eu dispunha) e fui pra cima! Nem pense numa cena de força, um combate épico. Foi entre gritinhos e gestos mal calculados  e revoadas da maldita! Lá se foi pela janela como planejado.  Me achei  “a heroína”!

E não é que apareceu a terceira?Não sei se era a mesma  -claro que não deve ser-  mas, ô bicha insistente! Na cozinha. Aí ela me tirou do sério. Deixar de dormir na cama OK, deixar de comer? Nunca! Peguei minha espada, digo, raquete, e fui pra cima. Sem gritar desta vez, só com medo mesmo. E a borboletinha enxerida se foi, entendeu meu recado.

Chego ao final de 2014 assim: confesso que ainda tenho medo das mariposas mas, agora são só borboletinhas escuras.Talvez bichos ressentidos por não terem aquele colorido e serem chamadas de fadinha  causando encantamento. Talvez sejam mesmo mal agourentas mas, morre gente todos os dias ,né? Como culpar a borboleta? Só sei que ela não é um monstro. Nunca foi, eu que dei esse título a ela. 

E, eu sei que se alguma voltar a me aterrorizar,  vou me aparamentar com foco e serenidade, e, mesmo com muito medo, vou enfrentar e mudar o cenário a meu favor. Mariposa vira borboleta.


Feliz 2015!

O registro de índígenas da etnia Yanomami ameaçados de terem suas terras invadidas pelo garimpo, produzido para um caderno especial de A CRÍTICA publicado no ano passado , rendeu a Odair Leal o reconhecimento internacional por seu talento. O fotógrafo acreano foi um dos ganhadores do prêmio Performance dos Humanity Photo Awards (HPA), organizado pela China Folklore Photographic Association (CFPA) e pela Agência das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
MATÉRIA PUBLICADA EM AGOSTO DE 2013, CONFORME LINK ABAIXO DESCRITO.

Fonte: http://acritica.uol.com.br/vida/Manaus-amazonas-Amazonia-Ex-fotografo-CRITICA-Performance-Humanity-HPA_0_983901612.html

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