Tem dias que
começam tão atrapalhados... Se resumem a produtos do cruzamento impiedoso de
angústias, medos, dores no corpo e na alma, conflitos de toda sorte . E ainda ,
e não menos importante, uma noite de zelos maternais que reduzem o descanso a
um quarto do normal.
Meu dia
começou neste ritmo. Desperta de um breve cochilo, tratei de mexer porque hoje,
coroando todo este turbilhão, prestaria um concurso público.
Dia melhor
não poderia ser ,né? Domingo de meio sol,de meia chuva, de meio frio, de meia
noite de sono, de meia tristeza. Meia boca, resumindo.
Decidi que
não faria todo o trajeto de ônibus: queria agilizar a ida e a volta. Para tanto, deixaria o carro no metrô e
seguiria por ele.
Cumpridas as
tarefas domésticas, passei orientação ao
genitor e saí.
Geralmente
gosto de silêncio mas, hoje a música precisava
ficar mais alta que os meus pensamentos, acompanhei o volume gritando .
Há momentos que tudo o que a gente precisa é gritar, se possível, com Deus! Feito
criança besta pedindo colo.
No
estacionamento do Metrô Ana Rosa, pedi
orientação a um funcionário do local para que me indicasse o acesso ao
embarque, no que me disse:
- Eu lhe
levo lá.
E sumiu o
doido sei lá pra onde ; mandou que eu esperasse. Em 30 segundos voltou pilotando um carrinho
elétrico, destes que tem no zoológico. Achei aquilo tão divertido. Em um
sorriso e um gesto “vem comigo” , reduziu a velocidade e eu embarquei. Cinco metros a frente, me perguntou:
-Com música
ou sem?
- Tanto
faz...- era meu azedume me impedindo de ser feliz.
- Tanto faz
não tem... Com música ou sem?
- Com música
é melhor!. Já tinha me decido a entrar no jogo.
- Blues, Jazz, Rock, Ópera...
- Hummm, Ópera!
. Fala sério? Esse meu lado FDP é impressionante... pra que fiz isso?
O cara limpou a garganta em um ham-ham e
cantou...Linda e tranquilamente, tal qual um grande tenor, uma melodia lindíssima, parecia
alemã - pelo menos, até onde pude captar com minha pouca cultura... O trajeto
durou menos que 2 minutos. Desci emocionada e, escondendo meus olhos, agradeci
por toda aquela magia.
Eu gritei .
Deus ouviu e me mandou um anjo para que eu me lembrasse que todos temos direito
a um momento de fragilidade e pirraça mas, como pai generoso e hábil, Ele
sempre nos mandará anjos para nos acalmar.
E, se alguém
for à estação Ana Rosa de metrô, saiba: tem um anjo no estacionamento!!! Ele é
erudito e distribui amor em forma
melodiosa, alegre e absolutamente caridosa... faz o bem sem ver a quem.
Peguei meu
pacote de amor e coloquei no coração.

Nossa, Nevinha, que coisa linda!!! Adorei o texto, o melhor de tudo é que seus textos são reais e muito emocionantes! Como Deus é maravilhoso!!! Vc já leu o livro Pollyanna?! Temos "sempre" que fazer o "jogo do contente"...boa sorte, espero sinceramente, de coração, que vc seja aprovada neste concurso...ETA!!!
ResponderExcluirObrigada Mi!
ResponderExcluir