Até bem pouco tempo atrás eu tinha um conceito bem
superficial sobre fisioterapia, ou melhor, nem conceito eu tinha. Sabia apenas
que fisioterapia era algo que se fazia quando se quebra o pé ou o braço mas,
nem ligava o “cré com o lé” , achava que era parte da coisa e não entendia
porque, pra falar a verdade, achava até que era uma frescurinha.
Felizmente, as coisas acontecem e a gente aprende. Há oito
anos estes profissionais da área da saúde frequentam a minha casa com
assiduidade e também os visitamos algumas vezes na semana.
A fisioterapia
percorre tanto as situações preventivas quanto as curativas e
estéticas, a quantidade de
especializações disponíveis aos já formados são muitas. Tem profissional para
casos ortopédicos (fraturas, hérnias, luxações) , para recuperação pulmonar,
para reeducação postural, reabilitação neurológica, massagem, drenagem
linfática, alongamento... É serviço que não acaba mais!
Àqueles que estão se recuperando de lesões ortopédicas,
saibam: a fisioterapia resolve seu problema. No entanto, se seu caso são umas gordurinhas
localizadas, muita retenção de líquidos, não precisa procurar o nome do cara
que resolve esta parte; é um fisioterapeuta também, drenando tudo e mais um
pouco. Ah! Mas você é um atleta? Ótimo, é a fisioterapia que vai lhe preparar
para vencer.
Mas, de todas estas especializações a maior interrogação
para mim foi a tal Fisioterapia Respiratória... Como assim malhar os pulmões?
Simples assim. Necessário e imprescindível para quem tem doenças pulmonares.
Então, resolvi hoje, falar particularmente desta modalidade da fisio que,
imagino eu, muita gente deve ter dúvidas sobre
o que se trata.
Quem contribuiu tecnicamente para esta postagem foi a
fisioterapeuta Marry Carvalho. Eu pedi cinco linhas sobre fisio respiratória
mas, o material foi tão bom que , basicamente, não havia o que cortar. Assim,
apenas transcreverei o que tão gentilmente ela dividiu de seu
conhecimento. Note-se que ela fala de crianças especiais (paralisia
cerebral ) mas, é claro, que no que
tange o setor de reabilitação neurológica (seja lá a sequela de que origem for
: AVC, Traumas,etc.), a fisioterapia
mostra sua face mais obstinada e confortadora, no entanto, ela percorre
graciosamente muitos aspectos deste super profissional.
“A paralisia cerebral além de ser uma das mais comuns desordens
neurológicas que acometem as crianças, talvez seja a mais desafiadora para
equipe de reabilitação quer seja pela variedade de tipos clínicos ou pelos
diferentes níveis de comprometimento como motor, sensorial e respiratório.
A queixa principal da família do paciente enfoca as questões nos
âmbitos da incapacidade e da desvantagem, portanto, devemos olhar o paciente
como um todo, para que possamos eleger estratégias de atendimento que possam
resolver ou minimizar estas questões.
As patologias neurológicas apresentam em sua maioria padrões anormais
de postura e movimento que levam a um desequilíbrio da musculatura
respiratória, o desequilíbrio dos músculos inspiratórios e expiratórios ocorrem
devido à alteração do tônus no caso da Paralisia cerebral. Estas alterações
podem evoluir para complicações como hipersecreções das vias aéreas, pneumonias
de repetição, déficit da tosse, apneias etc.
A fisioterapia respiratória tem como objetivo proporcionar ao paciente
condições para respiração mais efetiva, cabe ao fisioterapeuta munir-se de
recursos para elencar as técnicas que devem ser otimizadas com cada paciente,
vale ressaltar a importância da equipe interdisciplinar em todos os processos de
reabilitação e assistência ao paciente e seus familiares, o foco da família que
possui uma criança com necessidade especial, não deve ser somente no processo
de reabilitação, mas se faz necessário que esta consiga oferecer também
vivencias com participação ativa nos contextos social, educacional, religioso e
de lazer aumentando o seu desempenho global e não somente motora.
O fisioterapeuta precisa ter em mente que as suas mãos são ferramentas
terapêuticas poderosas, o tipo de mensagem que é enviada dependerá da qualidade
do toque. Pode se querer expressar segurança e confiança mas, ao invés disso transmitir
insegurança e ansiedade; apenas quando
entendemos como esses pacientes funcionam , é que aprendemos quando e como modificar o nosso
toque, pois eles são extremamente sensacionais e aprendemos muito apenas com o olhar que eles
nos transmitem.”
Empolgada né? Sim. Mas, só quem precisa e
convive com estes profissionais sabe o quanto (em geral) são apaixonados pela
área e o quanto todos nós precisamos deles. Acho que todos nós deveríamos ter um “Personal
Fisio” no nosso cotidiano. Verdade. O que antes era uma frescura aos meus
ignorantes olhos, hoje é, simplesmente, uma necessidade geral e não apenas de
sequelados que precisam reabilitar-se. Sempre que posto algo penso nos deficientes e nos não deficientes, como
já falei outra vez, não existe um abismo formando e dividindo dois mundos, tipo
deficientes e “normais”. Então, tudo vale para todo mundo.
E, se você leu o texto integralmente e chegou até aqui, análise seu dia a dia,
verá que também precisa de um anjo destes. Salve os fisioterapeutas!
Marry Carvalho. Fisioterapeuta, Técnica em Enfermagem, Linda Morena Padrão, Mãezona, Dirigente do Bando do Bem, Mulher do Patrão.Obs: Você, querido amigo fisioterapeuta, que não atendeu às minhas súplicas, agora tente animar-se para as próximas postagens.Pelo amor hein!


